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Prompts humanos

Estrutura do prompt humano

Nibs

Fogueira

Fogueira

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Desde tempos imemoriais, é no mesmo lugar que os membros de uma comunidade se encontram: ao redor do fogo. Antes de qualquer instituição, antes de qualquer escola, antes de qualquer método as fogueiras já aqueciam não apenas os corpos, mas as aprendizagens. Era se vendo com o brilho típico da chama que os seres humanos partilhavam suas histórias, sonhos e descobertas, inundando de saberes o tecido social. Rituais, celebrações e experiências espirituais também encontravam nas fogueiras um templo sempre disponível. E não são poucos os povos que seguem ritualizando seus dias às voltas com o fogo.

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A fogueira é uma das imagens mais antigas da humanidade. Se uma imagem forte é a que penetra nos repertórios simbólicos, essa já tem até passe livre no nosso inconsciente. Sua carga alegórica consiste em nos relembrar da força coletiva e da capacidade de transmutação do mundo. A fogueira é o lugar do esperançar. É a partir desse verbo freireano que a humanidade constrói, envolvida pelo sopro quente, as pontes entre suas histórias de passado e seus vislumbres de futuro – tudo junto e misturado.

O patrimônio da comunidade emerge a partir do que é compartilhado na fogueira. O mesmo acontece na brincadeira dos prompts humanos: é nesse lugar ritualístico e acolhedor que os investigadores se encontram para dividir suas riquezas. Todo prompt desemboca na fogueira. Não é debriefing.  Não é avaliação.  Não é apresentação de trabalho. É uma conversa ao redor do fogo onde cada um é convidado a se entusiasmar com as descobertas dos outros e, claro, partilhar as suas.

Prompts, ao meu ver, estariam incompletos sem fogueira. Ela é que garante que os percursos das pessoas confluam e bebam um do outro – como na pororoca. Sem esse momento, cada participante encerra a aposta com sua descoberta em mãos, mas sem a possibilidade de transformação que só aparece quando descobertas irredutíveis se encontram. A magia da fogueira não provém da soma dos achados, e sim do que brota nas costuras entre eles. Quando o "eu descobri" se depara com o "você também, mas de outro jeito", o que emerge é um reconhecimento improvável: somos diferentes e sentimos o mesmo. Assim é que o Nós ganha relevo.

É na fogueira que os Nibs são apreciados. Desde o início do prompt os investigadores já sabem que serão convidados a compartilhar seus Nibs. Isso aguça a capacidade de criação: quando sabemos que alguém vai ver, a tendência é caprichar mais. A fogueira, então, se torna o grande espelho através do qual os participantes da aposta podem se ver uns nos outros. O Nibs do outro pode acender algo na minha própria experiência que eu ainda fui capaz de enxergar.

Existem diferentes formas de propor o passeio pelos Nibs durante a fogueira. O artesão terá diante de si um tesouro esparramado: seu papel, assim como um curador de arte, é criar uma composição que transcenda as obras individuais. Algo como uma colcha de retalhos que, sem falar nada, diga: “isso é o que nós fizemos”. “Isso é onde chegamos”. Para tanto, ele precisa receber os Nibs antes da fogueira, em tempo hábil para produzir o espaço expositivo que será visitado pelos participantes. Se fizer sentido, o artesão pode ter a ajuda de alguns investigadores nesse processo.

Idealmente a fogueira é um evento síncrono, presencial ou online. Mas também é possível que ela ocorra de maneira assíncrona, a depender do prompt e do contexto. Proponho um contorno que a divide em quatro momentos complementares:

  1. Acendimento: não é uma abertura, é uma invocação. O artesão acende a fogueira através de uma incitação poética que prepara o grupo para o que está por vir. Pode fazer sentido retomar o anúncio da aposta e a história de origem do prompt. Ao definir o que pode compor esse gesto de encantamento inicial, a imagem forte escolhida pode apontar caminhos.
  2. Galeria: é a hora de abrir a cortina para revelar a obra coletiva esculpida a partir dos Nibs. Há um tom de suspense: a galeria é apresentada de surpresa, e através dela a comunidade se vê, se emociona e celebra junto. Ao passear pelos Nibs reunidos, a sensação é de um levante luminoso, como um bando de vagalumes que acendem de uma vez só.
  3. Costuras: com o grupo já envolvido pela experiência da galeria, o artesão abre conversas em grupos pequenos (até 5 pessoas) para que os investigadores possam trocar sobre seus percursos e se enxergar nas histórias e descobertas uns dos outros. Algumas perguntas possíveis:
  4. Compartilhamentos: por fim, uma chance para as pessoas apresentarem brevemente seus Nibs e contarem sobre seus percursos diante de todo o grupo. Nem todos precisam compartilhar, e a participação pode ser voluntária ou aleatória (sorteio de quem é convidado a apresentar). De 3 a 5 compartilhamentos de 5 a 10 minutos cada são suficientes – a ideia é que o grupo se sinta representado por essa amostra, então não é necessário que todos apresentem.

Todos os movimentos da fogueira podem ser conduzidos com a ajuda dos investigadores, caso o artesão abra essa possibilidade. À medida que o grupo vive mais prompts, a organização da fogueira pode se coletivizar. Depois dos compartilhamentos, é possível reservar um momento para falas finais. E quem sabe alguém pode até propor um festejo para comemorar que a aposta deu certo – ela sempre dá.

O prompt chega ao fim nas brasas da fogueira, mas a depender da temperatura do grupo, organizar o próximo é um passo inevitável. É ao redor do fogo que a comunidade de investigadores entra em ignição para sonhar novas apostas. O artesão, que agora já fez a travessia com aquelas pessoas, tem material de sobra para criar outros prompts ou até repetir o mesmo – por que não? Investigadores também podem se tornar artesãos, e é nesse fluxo que a autoria do jogo vai se abrindo para a coletividade.