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Prompts humanos

Estrutura do prompt humano

Nibs

Fogueira

Nibs

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Faz tempo que venho sublinhando dois aspectos inerentes aos processos de descoberta: compartilhamento e troca. Você pode descobrir algo e não criar nada compartilhável com isso. Nem contar ou conversar a respeito com ninguém. Mas descobertas guardadas na gaveta apodrecem. Além do mais, nós gostamos de partilhar o que aprendemos. Isso nos nutre e também nutre o outro. Uma aprendizagem sem compartilhamento e troca vai desbotando com o tempo.

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No Metaprompt, a estrutura que criei para suscitar o compartilhamento é o Nibs. É possível desenhar prompts sem Nibs, assim como é possível variar o desenho dos contornos que incentivam o compartilhar. Mas foi através dessas pepitas de cacau que pude elaborar um caminho apetitoso para os investigadores transbordarem suas investigações.

Nibs são a parte mais preciosa do cacau. A partir de minuciosos processos de fermentação, secagem, torrefação e trituração é que são obtidos. Quase todos os chocolates dependem desses pequenos cristais marrons de sabor intenso. A palavra também é interessante: Nibs, mesmo no singular, já é plural. Sua qualidade nobre e exótica faz dessas amêndoas quebradas um verdadeiro tesouro culinário.

É a partir da ideia de tesouro que podemos pensar nos Nibs do Metaprompt. A aposta dispara investigações e as investigações geram frutos criativos. A cada prompt, Nibs são esparramados no chão da comunidade. Eles não precisam ser grandes, só precisam ser compartilháveis. Não precisam ser complexos, mas precisam ser significativos. Sua qualidade irrepetível deriva da singularidade de cada processo de descoberta. Nenhum Nibs é igual ao outro – o exato oposto da educação tradicional.

Cada Nibs é um vestígio que conta a história da investigação que o gerou. É através dele que o aprendizado etéreo do investigador se converte em materialidade. Nibs é uma coisa concreta, uma criação, um “botar pra fora” – sua função é explicitar. É também o elixir que trazemos da jornada ou o alimento que coletamos para partilhar com a tribo. Longe de ser um registro burocrático ou um instrumento avaliativo, é um artefato artístico – uma composição autoral que se inspira na arte de viver de cada um. Da mesma forma que o prompt como um todo, sua especificação deve ser porosa, deixando espaço para que o investigador faça emergir seu próprio mundo ao produzi-lo.

Na perspectiva dos contornos habilitadores, Nibs podem ser entendidos duplamente como contornos de registro e saída. Ainda assim, é mais fértil pensá-los como um metacontorno. O mesmo acontece com a fogueira. Nibs e fogueira são metacontornos pois funcionam como balizadores de certos tipos de contornos – em vez de fechar o desenho do prompt, eles o abrem. Assim é que podemos projetar Nibs e fogueiras de muitos jeitos diferentes.

Além de ser criativo, compartilhável – salvo quando fizer sentido mantê-lo privado –, significativo para quem o criou, irrepetível, símbolo da investigação que o fez nascer e tangível, o Nibs também é um ritual dentro do prompt. Ele deve ser produzido por cada investigador e enviado para o artesão antes da fogueira, de modo que este possa reunir todos os tesouros no mesmo lugar, seja físico ou virtual. Os Nibs, desse modo, são lenhas que alimentam o fogo, incitando conversas não a partir de mentes escorregadias, mas de materialidades que encarnam tanto as histórias das descobertas quanto as descobertas das histórias.

Ao especificar os contornos dos Nibs, o artesão deve pensar em algumas variáveis. O mais importante é que o convite de explicitação das descobertas seja coerente com o prompt. A imagem forte escolhida pode trazer pistas, assim como a história de origem e as pesquisas de aterramento. Todo Nibs tem forma e conteúdo, e a partir desses parâmetros podemos pensar em diferentes níveis de porosidade: o quanto a forma será pré-definida? O quanto o conteúdo será direcionado? Uma possibilidade é definir a forma e deixar o conteúdo em aberto. Nesse caminho, o investigador se depara com uma clareza em relação a que tipo de coisa irá produzir, mas é livre para rechear essa coisa como quiser. Essa estratégia, no entanto, está longe de ser a única.

Ao mesmo tempo que podem assumir formatos variados – textuais, visuais, manuais, sonoros ou misturas de tudo isso –, os Nibs também ajudam a harmonizar os registros do prompt. Se cada participante compartilha um Nibs totalmente diferente, a possibilidade dos investigadores se verem nas descobertas uns dos outros diminui. É o espelhamento que gera identificação e conexão. Além disso, a partir de um certo nível de coesão nessa trama, os Nibs podem ser agregados, organizados e apresentados de diferentes maneiras, o que permite aos participantes se verem refletidos não só uns nos outros, mas também no grande espelho coletivo.

Todo prompt humano gera Nibs: tesouros que refletem o brilho no olho dos investigadores. Passear pela galeria de Nibs de um prompt é reviver o que aquela experiência produziu nas pessoas. Essas galerias são coleções, painéis, espaços expositivos – sua criação é o que consolida o legado da aposta. Numa biblioteca de prompts, as galerias de Nibs são as salas de maior suculência: é nelas que podemos literalmente enxergar o descobrir junto.

Após serem entregues, os Nibs são celebrados na fogueira, onde se transformam em insumos para a descoberta coletiva. Como nossos ancestrais, passamos um tempo fora caçando e coletando e depois oferecemos o que conseguimos encontrar para a comunidade. Nibs são formas de presentear o grupo que apostou com a gente. Um mesmo percurso, muitas pérolas diferentes.