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Isso é muito diferente do clássico trabalho em grupo da escola. Nele, os estudantes são forçados – pelo próprio desenho da atividade – a abafar suas singularidades em prol do pensamento de rebanho. Geralmente o membro mais vocal ou insistente acaba definindo a direção do que é produzido. A proposta não é porosa, o que significa que não há um convite para cada pessoa degluti-la e saboreá-la a seu modo.
Tentamos evitar isso. No exemplo da Maratona de Leitura que começamos a ver no princípio da aposta, a porosidade aparece no fato de que não é especificado qual livro a pessoa vai ler – cada uma escolhe o seu. Isso é intencional. Nesse mesmo prompt, porém, a delimitação do espaço de descoberta da aposta poderia ser feita de outras formas: somente livros de poesia, livros físicos, "revisitar" um livro já lido ou até abrir para outros materiais além de livros. Projetar a porosidade é uma arte.
No metadesign existe a frase "ativar mais do que determinar". É isso que a porosidade almeja. Prompts humanos não ensinam nada: criam condições para a descoberta – e se alguém "alucinar" é porque deu certo. É como propor a cena de fundo e deixar a pessoa completar o quadro. Disso emerge a junção paradoxal das potências da comunidade – "estamos todos juntos nessa" – e da autodireção – "eu posso ser eu mesmo". Nesse sentido é que podemos pensar os prompts como estruturas que libertam. A porosidade não é ausência de estrutura, mas uma de suas características. E o que ela faz com a aposta é transformá-la num ambiente de escolhas.
Dentre as várias metáforas que ajudam a entender esse acoplamento entre sujeito e comunidade, duas se destacam: a pororoca e o espelho.
A maré alta do oceano – as curiosidades, idiossincrasias, importâncias, histórias e demais "fragmentos de mundo" dos participantes – adentra o rio – a aposta e os contornos do prompt – e causa ondas gigantes. A pororoca é o encontro entre dois fluxos que não se anulam, mas se potencializam bebendo um do outro. Uma aposta porosa é o que permite essa confluência.
A segunda metáfora é a do espelho. O prompt não transmite ensinamentos de quem o criou. Pelo contrário – é a superfície que reflete as descobertas irredutíveis de quem participa. Você oferece o espelho – a aposta – para ampliar as chances de que o outro encontre o que só ele ou ela poderia encontrar. Essa descoberta é espelhada a um só tempo com as descobertas que levaram à criação do prompt e com as descobertas dos outros participantes – todas únicas e ao mesmo tempo reflexos umas das outras. A artesania dos prompts é como polir um espelho coletivo onde o outro pode se ver com mais nitidez do que conseguiria sozinho.
Prompts humanos são propostas de transformação, e a porosidade permite que cada pessoa viva sua versão única dessa transformação. Para isso acontecer, é preciso que eles tenham um certo magnetismo e uma conexão real com a comunidade que os receberá. Como garantir isso é a pergunta que os próximos três princípios – Imagem Forte, História de Origem e Aterramento – tentam responder.